Um pedido perfeitamente razoável

A mota começou como um pedido de cliente. O resultado final tem o tamanho aproximado de uma folha A3 e é construído com oito camadas de madeira.
Foram quase três dias a cortar, alinhar e colar peças. Rodas, motor, malas, carenagens e contornos existem em planos físicos diferentes. A sombra não foi desenhada: aparece porque há madeira por cima de madeira por cima de mais madeira.
O preço pedido pelo trabalho completo foi 65 euros.
Quando o cliente viu a peça terminada e ouviu o preço, respondeu:
“Só?????”
Nesse momento, aparentemente, a única pessoa envolvida na encomenda que ainda não tinha percebido o erro de cálculo era quem a tinha construído.
Peritagem financeira ao desastre
Se três dias representarem apenas 18 horas efetivas de trabalho, o valor fica perto de 3,61 euros por hora.
Antes de descontar:
- madeira;
- cola;
- eletricidade;
- desgaste do laser;
- testes;
- acabamento;
- tempo de preparação;
- e a pequena questão de alinhar oito camadas sem começar a discutir com objetos inanimados.
Com 24 horas efetivas, o valor desce para aproximadamente 2,71 euros por hora. Abaixo disso, a peça começa provavelmente a pagar para existir.
O preço também foi experimental
Isto era — e continua a ser — um hobby. Muitas peças serviram para aprender, testar limites e financiar a máquina aos poucos. Nem todas nasceram com uma folha de cálculo ao lado.
A mota provou que era possível construir uma imagem complexa em vários níveis, preservar detalhe fino e transformar uma ilustração numa peça com volume real.
Também provou que “quanto acho que alguém paga?” e “quanto custa realmente fazer?” são perguntas perigosamente diferentes.
Não foi apenas uma encomenda barata. Foi formação intensiva em multicamada com propinas pagas ao contrário.
Oito camadas, três dias, 65 euros e uma lição que ficou colada para sempre.