Mesmo quando não parece
O portefólio tem superfícies que parecem metal queimado, pedra, tinta industrial, impressão e materiais que provavelmente teriam nomes muito caros numa loja de decoração.
É tudo madeira.
Essa é uma das partes mais interessantes do processo: usar um material reconhecível e empurrá-lo até deixar de comunicar imediatamente aquilo que é.
Não se trata de esconder madeira por vergonha da madeira. O veio, a densidade e as pequenas diferenças entre placas continuam a decidir parte do resultado. A transformação visual acontece por cima; o material continua presente por baixo e interfere sempre.
A madeira tem direito a voto
Duas peças feitas a partir do mesmo desenho nunca respondem exatamente da mesma forma. Há variações que o ficheiro não prevê e o laser não consegue obrigar a desaparecer.
É por isso que a resposta à pergunta “consegues fazer outra exatamente igual?” costuma precisar de alguma diplomacia.
Posso repetir o desenho. A madeira não assina contratos.